14 de Junho, o dia que pertence por inteiro à minha querida e saudosa amiga Raquel
Não era eu, era o que de mim fazias!
Algum dia a linha que nos unia – abruptamente cortada – será
atada, colocada em nosso redor, e nos projectará para o mundo irrequieto, cheio
de vida, nascido de nós?
Busco a minha rocha, a minha jangada. Perco-me na tentativa
de encontrar um quadro qualquer que me demonstre que tudo isto faz sentido.
Agarro-me tanto aos sonhos, ao que sinto e invento nesta febre de viver, que adormeço
o sofrimento e disfarço-me de mulher guerreira.
No final, nem chegar a ti eu sei.
Contigo eu usei uma das minhas melhores máscaras: uma
extensão de ti. As máscaras que agora uso dão-me o suporte vertical para
aguentar este corpo, vestem-me de comportamentos e sentires que, nem de longe,
se podem comparar ao meu eu partilhado contigo. São máscaras que transbordam de
uma valentia fingida, porque muito de mim é fraqueza.
Aqui estou, de novo pronta para ti, pronta para nós e, no
entanto, miserável e inevitavelmente só.
Fazes-me tanta falta!
Dizem haver um plano qualquer nisto tudo, um plano escolhido
por nós. Não entendo. Como podemos escolher esta dor? Tu a partires sem mim, eu
a ficar sem ti. E o desconsolo que sinto é tanto, mas tanto, que só me apetece
gritar. E no choro que sai raivoso, que abana toda a minha estrutura muscular,
não consigo despertar o sorriso que me leve a ti.
Assim me encontro, neste estado de alma abandonada.
Festejo o teu dia no levantar de um copo dirigido ao vazio,
um vazio do tamanho do mundo, um vazio que me aperta o coração, me retesa os
músculos, me crava as unhas pela alma e a põe a sangrar. Na mão erguida, treme
o pânico de que não me vejas, nem sintas.

