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09 junho 2026

Floquinhos de sonho

 

Alguém me disse que, a pedir, pede-se alto.

Nunca o consegui fazer. Continuo a pedir pouco, sempre pouco, pelo menos a meus olhos.

Meus sonhos estilhaçam-se em pequeninas doses. 

São algodão doce a derreter em farrapos.

Não temo por serem poucos, temo que se acabem.

Sonhar é a maior riqueza que possuo enquanto ser humano. Curioso é perceber que muitos sonhos nascem do rasgar da alma, dos pedaços que vou largando em sofrimento, dor e impotência.

Sonhar é a força que arranjo para continuar a encontrar-me e a reinventar-me.


Imagem: criada por mim com ajuda do Copilot 


Sonhar é o bálsamo das desilusões que por mim passam, o bálsamo que as transforma no meu coração, de pedra de calçada em baloiço de menina, que no seu balançar levanta o pólen das margaridas que tem ao colo e sorri, feliz.

Não sei o que vem primeiro, sou a confusão completa de sentimentos e pensamentos e, nessa mistura estranha, esfrangalhada, busco os tais pedacitos de algodão por entre o cinzento frio da dor.

E continuo enfiada nos segredos que teimo em guardar, enclausurada numa loucura solitária, com medo de me mostrar nas paranoias e inseguranças que fazem de mim o que sou.

E não sei o que sou!

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