Alguém me disse que,
a pedir, pede-se alto.
Nunca o consegui
fazer. Continuo a pedir pouco, sempre pouco, pelo menos a meus olhos.
Meus sonhos estilhaçam-se em pequeninas doses.
São algodão doce a derreter em farrapos.
Não temo por serem
poucos, temo que se acabem.
Sonhar é a maior
riqueza que possuo enquanto ser humano. Curioso é perceber que muitos sonhos
nascem do rasgar da alma, dos pedaços que vou largando em sofrimento, dor e
impotência.
Sonhar é a força que
arranjo para continuar a encontrar-me e a reinventar-me.
Sonhar é o bálsamo
das desilusões que por mim passam, o bálsamo que as transforma no meu coração, de pedra de
calçada em baloiço de menina, que no seu balançar levanta o pólen
das margaridas que tem ao colo e sorri, feliz.
Não sei o que vem
primeiro, sou a confusão completa de sentimentos e pensamentos e, nessa mistura
estranha, esfrangalhada, busco os tais pedacitos de algodão por entre o
cinzento frio da dor.
E continuo enfiada
nos segredos que teimo em guardar, enclausurada numa loucura solitária, com
medo de me mostrar nas paranoias e inseguranças que fazem de mim o que sou.
E não sei o que sou!

Sem comentários:
Enviar um comentário