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14 junho 2026

Náufraga de Ti

14 de Junho, o dia que pertence por inteiro à minha querida e saudosa amiga Raquel


Aparecias de repente, com o à vontade que me faltava. Vinhas encontrar-te comigo, buscar-me. Trazias o entusiasmo e a alegria que me contagiava, que me transformava no que pensavas ser eu. Eu, que sempre fui um fruto de ti. Eu, aquela pequenina à deriva que se encaixava no teu mundo, que admirava a tua desenvoltura, a tua segurança, a tua coragem e até os teus desabafos. Eu, que sem mostrar as limitações de que era feita, seguia contigo, sem hesitar.

Não era eu, era o que de mim fazias!

Algum dia a linha que nos unia – abruptamente cortada – será atada, colocada em nosso redor, e nos projectará para o mundo irrequieto, cheio de vida, nascido de nós?

Busco a minha rocha, a minha jangada. Perco-me na tentativa de encontrar um quadro qualquer que me demonstre que tudo isto faz sentido. Agarro-me tanto aos sonhos, ao que sinto e invento nesta febre de viver, que adormeço o sofrimento e disfarço-me de mulher guerreira.

No final, nem chegar a ti eu sei.

Contigo eu usei uma das minhas melhores máscaras: uma extensão de ti. As máscaras que agora uso dão-me o suporte vertical para aguentar este corpo, vestem-me de comportamentos e sentires que, nem de longe, se podem comparar ao meu eu partilhado contigo. São máscaras que transbordam de uma valentia fingida, porque muito de mim é fraqueza.

Aqui estou, de novo pronta para ti, pronta para nós e, no entanto, miserável e inevitavelmente só.

Fazes-me tanta falta!

Dizem haver um plano qualquer nisto tudo, um plano escolhido por nós. Não entendo. Como podemos escolher esta dor? Tu a partires sem mim, eu a ficar sem ti. E o desconsolo que sinto é tanto, mas tanto, que só me apetece gritar. E no choro que sai raivoso, que abana toda a minha estrutura muscular, não consigo despertar o sorriso que me leve a ti.

Assim me encontro, neste estado de alma abandonada.

Festejo o teu dia no levantar de um copo dirigido ao vazio, um vazio do tamanho do mundo, um vazio que me aperta o coração, me retesa os músculos, me crava as unhas pela alma e a põe a sangrar. Na mão erguida, treme o pânico de que não me vejas, nem sintas.




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